Nos últimos meses, o Metrô de São Paulo foi notícia no país com a divulgação de diversos planos de novas linhas. Além de algumas bem conhecidas e que já estão sendo desenvolvidas há algum tempo, como a Linha 19-Celeste e a Linha 20-Rosa, a companhia também avançou com a Linha 22-Marrom e revelou dois novos ramais em estudo, a Linha 21-Vinho e a Linha 23-Limão.
É um leque de projetos bastante empolgantes mas que a grande imprensa e os sites caçadores de cliques acabam gerando uma falsa expectativa, na ânsia por gerar manchetes espalhafatosas e que não têm outro objetivo do que passar um senso de urgência inexistente.
Como os leitores contumazes do MetrôCPTM sabem, linhas metroviárias não nascem da noite para o dia. São, em vez disso, processos longos, complexos, caros e que avançam a reboque de decisões políticas. Sim, por mais que o Metrô de São Paulo queira seguir com um projeto, o aval e o financiamento dele estão a cargo do governo do estado.
O atual governador, inclusive, tem dado espaço para que a companhia amplie estudos, mas daí a afirmar que, por exemplo, ‘a Linha 22 está em obras’ porque começaram sondagens em Cotia é um enorme exagero.
Por isso, este site, como tem sido regra em seus mais de 10 anos de existência, busca situar a realidade desses empreendimentos com o objetivo de informar em vez de entrar na ‘onda da audiência a todo custo’.
Pois bem, as cinco linhas hoje em gestação pelo Metrô estão em estágios muito diferentes e mesmo a mais adiantada, a pelos menos cinco anos de abrir as portas. Veja seguir o real status:
Linha 19-Celeste
Sim, é a que está mais perto de virar realidade. O Metrô licitou os três lotes de obras civis, que incluem o projeto executivo e o uso de tatuzões. Embora o pregão eletrônico tenha sido realizado em outubro passado, como é comum, o resultado foi parar na Justiça que recentemente concedeu alguma segurança à companhia para assinar contratos. Eles, no entanto, ainda não foram assinados com os consórcios.
Se isso ocorrer nas próximas semanas, então veremos um período em que as empresas se dedicarão ao projeto executivo enquanto terrenos são liberados e há uma lenta, porém, decisiva mobilização de canteiros, encomenda de tuneladoras e por fim obras, possivelmente, a partir de 2027. Mas ver trens circulando nos 17,6 km e 15 estações entre Guarulhos e o centro de São Paulo é coisa para 2032 ou mais.
Linha 20-Rosa
Talvez o ramal de metrô mais discutido nos últimos tempos, sobretudo pela promessa de começar pelo ABC, que já poderia ter uma linha, a 18-Bronze, em operação, não fosse a questionável decisão do ex-governador João Doria de agradar a concessionária Metra, hoje Next, com um pacote de bilhões de reais para sete anos depois não existir ‘BRT ABC’ em operação ainda.
Bem, mas e a Linha 20? Se a promessa de Tarcísio de Freitas for cumprida, em 2027 teremos uma licitação similar à da Linha 19, com projeto executivo e obras civis contratadas pelo Metrô e não via concessão ou PPP. No momento, a Linha 20 passa por estudos mercadológicos e de projeto básico, além de sondagens e que serão usados para produzir o edital de obras. Se tudo der certo, obras poderiam começar em 2028 pelo ABC, colocando a nova linha em operação em 2033. Será? Soa como algo muito otimista neste estágio.
Linha 21-Vinho
Trata-se da mais nova linha em estudo pelo Metrô após constar em alguns documentos como Linha 21-Grafite. Será um ramal diferente, que pretende partir de Diadema e seguir em direção à Zona Leste, passando por São Bernardo, São Caetano e terminando nas imediações do Parque do Carmo.
Parece uma linha sem sentido já que ficará longe da região central, mas o Metrô vê potencial de demanda já que em seu caminho ela cruzará com as linhas 20-Rosa, 10-Turquesa (talvez o TIC Eixo Sul para Santos), 15-Prata, 16-Violeta e 14-Ônix. O primeiro movimento para tirá-la do papel foi feito em maio com o lançamento do edital de anteprojeto. Ou seja, ela ainda não tem um traçado mais preciso, apenas um esboço do que a companhia imagina.
Linha 22-Marrom
Em termos de licitações, a Linha 22 deu grande salto nos últimos meses, confirmando seu status de terceiro projeto do Metrô mais avançado. A companhia colocou no mercado vários editais, de sondagens, mapeamento de redes públicas, estudo mercadológico e o mais importante, o projeto básico, que antecede um eventual edital de obras.
O ramal entre Cotia e a estação Sumaré teve o anteprojeto concluído no ano passado e a até esse ponto o Metrô imagina a Linha 22 como um metrô subterrâneo mas com trens menores, com cinco carros e largura mais estreita. Por ser uma linha pendular, a demanda promete ser grande e com intervalos baixos. Há, contudo, um longo caminho para vermos obras civis: se o projeto básico evoluir, talvez em 2028 existam condições para um edital ser preparado, mas obras antes de 2029 soam um tanto inesperadas.
Linha 23-Limão
Das cinco é a que está num estágio mais embrionário. Proposta como uma anel metroviário na região norte, ela pretende ligar Osasco ao Tatuapé, cruzando regiões como Pirituba, Inajar de Souza, Casa Verde, Santana, Vila Maria, até chegar à zona leste. Sua existência foi confirmada pelo Metrô meses atrás quando o Relatório Integrado da companhia foi divulgado, mas sem qualquer detalhe explicado.
Na prática, a Linha 23 por enquanto só existe nos computadores da área de planejamento do Metrô, mas é possível que em breve a empresa lance alguma licitação para aprofundar os estudos, quando então ficará mais clara sua situação.
E a Linha 16?
Os mais atentos certamente sentiram falta da Linha 16-Violeta, também um metrô subterrâneo cuja ideia partiu do Metrô. No entanto, a gestão estadual decidiu retirar o projeto das mãos da estatal e repassá-lo à construtora Acciona, que lidera a implantação da Linha 6-Laranja.
A empresa espanhola demonstrou interesse em implantá-la como a uma espécie de continuação da Linha 6 e para isso lançou uma MIP em 2024. No ano passado ela recebeu aval do governo para aprofundar os estudos e com isso a Linha 16 deixou o escopo do Metrô e está sob o guarda-chuva da Secretaria de Parcerias em Investimentos.
