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Fiepe contesta TCU e lista vantagens da ferrovia Transnordestina em Pernambuco

20.07.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Movimento Econômico
Data: 20/07/2026

Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) apresentou um conjunto de justificativas econômicas e logísticas para comprovar a viabilidade do trecho Salgueiro-Suape da ferrovia Transnordestina. O posicionamento ocorre após o Tribunal de Contas da União (TCU) decidir manter o embargo sobre o início das obras físicas do projeto, permitindo provisoriamente apenas o andamento de atos burocráticos, sob o argumento de que os relatórios anteriores careciam de detalhamento sobre o retorno social do modal para a região.

?O presidente da Fiepe, Bruno Veloso, explicou que o parecer inicial emitido pela corte de contas tomou como base um diagnóstico técnico elaborado pela consultoria McKinsey, o qual computava de forma restrita apenas os fluxos de escoamento de minério de ferro.]

De acordo com o dirigente, a federação entregou à Sudene e ao Governo do Estado uma análise de mercado muito mais ampla, evidenciando o potencial subutilizado de cargas da indústria pernambucana.

?A expectativa da indústria é que a análise complementar entregue pela Sudene solucione as pendências institucionais exigidas no acórdão do TCU. Bruno Veloso explica que o estudo técnico preliminar aponta um Valor Sempre Presente Líquido (VSPL) de R$ 4,76 bilhões para a infraestrutura, mas o tribunal exige o cruzamento desses dados financeiros com os impactos gerados diretamente na renda das populações das microrregiões afetadas pelos trilhos.

?O erro metodológico do relatório inicial

De acordo com o gestor, a restrição original de repasse de verbas federais e o consequente embargo do tribunal ocorreram devido a uma falha de escopo metodológico nas planilhas avaliadas inicialmente pelos ministros em Brasília. O primeiro levantamento técnico desconsiderou a diversidade do parque fabril do estado.

?”O TCU fez o primeiro estudo baseado em um relatório da McKinsey que só considerava o transporte mineiro de ferro. A Federação das Indústrias fez um estudo de viabilidade. Esse estudo de viabilidade econômica foi entregue ao governo do estado, também foi entregue a Sudene. Esse estudo também foi para a Infra”, revela Bruno Veloso, ao Movimento Econômico.

?O executivo apontou que a mobilização do empresariado serviu para embasar os novos pedidos de reconsideração das ordens de paralisação técnica. O documento corporativo serviu para ampliar os horizontes do que o modal representa para o Nordeste.

?”O TCU pediu para que fosse feito um complemento de estudo também de impacto socioeconômico na região. O que tinha sido entregue ao TCU um estudo da viabilidade econômica da ferrovia. Tanto foi que esse estudo permitiu com que o TCU autorizasse a contratação, autorizasse a execução de estudos pedindo para que a complementariedade do estudo solicitado por ele, que é do impacto social, fosse entregue”, detalha.

“Nós temos carga de retorno, carga que vem da produção aqui da Refinaria Abreu e Lima. A nossa produção de óleo diesel, ela pode, em um retorno desse, ter polo de distribuição”, disse Bruno Veloso. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

?Carga de retorno e a cadeia do gesso do Araripe

A análise da Fiepe indica que o TCU avaliou o projeto sem mensurar os ganhos indiretos na cadeia de valor de grandes polos produtores, como o Polo Gesseiro do Araripe, que mantém o mesmo nível produtivo há mais de dez anos devido aos custos proibitivos do frete rodoviário convencional.

Bruno Veloso detalhou que, enquanto a demanda por gesso cresce no mercado interno por conta da construção civil, o país acaba comprando o insumo do exterior porque a logística rodoviária de Pernambuco sufoca o preço da mercadoria nacional.

?”Nós sabemos que o consumo de gesso do Brasil aumentou muito. A indústria e a construção civil têm crescido, e isso tem ocorrido porque cada dia estamos importando mais o gesso da Espanha. Então, se tivéssemos uma maneira de, através da Transnordestina, transportar esse gesso até o Porto de Suape, nós reduziríamos substancialmente o custo do frete, e o custo do frete no gesso tem um impacto muito grande. É muito maior até do que o próprio produto”, ressalta o presidente da Fiepe.

?Além do mineral do Sertão, outros segmentos vitais da economia seriam diretamente beneficiados pelo custo reduzido do frete ferroviário, de acordo com o presidente.

?”O que ele [TCU] tinha na mão era que a viabilidade econômica do que ia acontecer de benefício para todo o parque industrial pernambucano. Por exemplo, a potencialidade que nós temos do aumento e de escoamento da produção do setor gesseiro era muito forte.”

“O setor de proteína animal, seja ele o aviário e seja bovino. Todos vão ter um uso muito forte da Transnordestina, escoando por Suape. A fábrica de baterias Moura também, que tem uma grande produção, o produto tem um peso muito forte também, e deverá ser escoado”, destaca Veloso.

?A engenharia da ferrovia pernambucana, aponta a Fiepe, resolve também um problema clássico de frete do país, que é a falta de aproveitamento dos comboios no trajeto inverso de retorno ao interior. A Transnordestina criaria canais de escoamento internos para a matriz energética produzida no litoral.

O presidente da Fiepe alertou que Pernambuco já amarga prejuízos consolidados devido à celeridade das obras no estado vizinho, uma vez que o ramal da ferrovia direcionado ao Porto de Pecém, no Ceará, avança em ritmo acelerado e consolidará sua operação bem antes. Foto: divulgação

?”Nós temos carga de retorno, carga que vem da produção aqui da Refinaria Abreu e Lima. A nossa produção de óleo diesel, ela pode, em um retorno desse, ter polo de distribuição. Tanto polo de distribuição poderia ter ali em Salgueiro, quanto um outro ponto de distribuição, e com isso reduzir drasticamente o transporte de combustível via rodoviário”, avalia o executivo.

?O avanço de Pecém e o risco de isolamento logístico

?O presidente da Fiepe alertou que Pernambuco já amarga prejuízos consolidados devido à celeridade das obras no estado vizinho, uma vez que o ramal da ferrovia direcionado ao Porto de Pecém, no Ceará, avança em ritmo acelerado e consolidará sua operação bem antes.

?”A perda já existe porque o Porto de Pecém vai receber essa ferrovia bem antes do que vai chegar em Porto Suape. E com isso muitos produtos vão começar a escoar por Pecém. O Porto de Suape, quando ficar pronto, a Transnordestina chegando ao Porto de Suape quando ficar pronta, ela já vai chegar com algum tempo razoável, alguns anos de atraso, e vai estar mais consolidado o Porto de Pecém. Nós precisamos correr é que esse tempo seja o mínimo possível”, analisou Bruno Veloso.

?Para reverter esse quadro de desvantagem cronológica frente ao Ceará, o presidente defende que a união política institucional em torno do tema deve se converter em verbas garantidas e carimbadas no orçamento federal.

?”Nós já sabemos que vai chegar primeiro em Pecém, e que Pecém vai se estruturar e que muita produção que é pernambucana vai escoar via Pecém. Só quando o Porto de Suape receber esse ramal ferroviário é que poderemos, sim, buscar aquilo que está escoando por Pecém e trazer para Pernambuco”, afirma.

?O custo do atraso e o escoamento de Suape

A Federação das Indústrias avalia que os sucessivos adiamentos burocráticos e as disputas de relatórios técnicos punem severamente o ritmo de arrecadação do estado e afetam o planejamento de novos investimentos industriais privados. Cada mês com as máquinas paradas representa uma perda de espaço de mercado para os concorrentes regionais.

?”Quanto à questão do atraso da obra, isso é muito ruim para a economia. Quando você não dá um escoamento por um determinado caminho, ele busca outros. Então, se o nosso porto não fica pronto e outros portos da região ficam prontos para a exportação, mesmo que hoje não tenham capacidade, mas essa capacidade ela pode ser implantada e dar musculatura a esses novos portos. Ou seja, a produção vai deixar de sair por Suape, que é tão importante”, dispara Bruno Veloso.