Fonte: Valor Econômico
Data: 09/09/2026
Num ano de crises geopolíticas, guerras e risco climático acirrado pela perspectiva de um intenso El Niño, as economias do Centro-Oeste e do Norte tendem a acompanhar a desaceleração esperada para todo o país, avalia Giuliana Folego, da Tendências Consultoria. Ainda assim, a demanda doméstica mais robusta e a retomada do crescimento industrial devem permitir ao Centro-Oeste preservar o crescimento, com alta de 2,7% para o Produto Interno Bruto (PIB) após o avanço de 3,9% em 2025. Já na região Norte, a expansão deve baixar de 3,7% no ano passado para 1,8% neste ano. A variação segue próxima do crescimento médio de 1,9% projetado para o PIB brasileiro.
O choque de custos derivado da guerra contra o Irã chega sob a forma de preços mais altos para fertilizantes e diesel, encarecendo fretes e comprimindo margens no campo. “Há um contrapeso relevante”, pondera a economista, já que o petróleo mais caro torna os biocombustíveis mais competitivos. “É este setor que puxa a recuperação industrial no Centro-Oeste neste ano, com alta de 17,5% após queda de 31,0% em 2025”, estima.
Ambas as regiões têm neste ano investimentos mais elevados, envolvendo projetos de maior porte e de maturação mais longa. Considerando aqueles com início de operação entre 2025 e 2030, o valor nas duas regiões é de R$ 188,5 bilhões. Só da Vale serão quase 38%. Do setor de celulose, 44,8%.
Segunda melhor em seu sua área, a Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo) bateu recordes na geração de resultados e no recebimento e processamento de grãos. “O foco em eficiência operacional, disciplina financeira e equilíbrio entre crescimento e geração de resultados sustentou o desempenho em 2025 e deve permitir novo avanço neste ano”, resume Dourivan Cruvinel, presidente-executivo da Comigo.
A receita líquida cresceu 25,9% no ano passado, para R$ 13,775 bilhões. Em seu projeto mais ambicioso, a cooperativa investe cerca de R$ 1,3 bilhão na construção de sua terceira planta de soja, na região de Palmeiras de Goiás (GO), e de uma pera ferroviária de três quilômetros, integrada à Ferrovia Norte-Sul. A unidade deve processar 6 mil toneladas/dia, dobrando a capacidade total da cooperativa.
Em Barcarena (PA), a Alunorte investe em projetos sustentáveis para assegurar competitividade no longo prazo, conforme seu presidente, Phillip McIntosh. A substituição do óleo combustível pelo gás natural, um investimento de R$ 1,3 bilhão, e a instalação de três caldeiras elétricas (R$ 318 milhões), associadas ao uso de energias renováveis, permitiram redução de 35% das emissões, mitigando 1,4 milhão de toneladas de carbono por ano. A companhia também vem substituindo carvão por caroço de açaí nas caldeiras de geração de vapor. A conversão integral das três caldeiras deverá resultar em queda de 1,2 milhão de toneladas de CO2/ano. Em 2025, a receita líquida caiu 7,1%, mas o lucro da companhia cresceu 32,4%, para R$ 1,56 bilhão.
Entre 2021 e 2025, a Saneamento de Goiás (Saneago), investiu R$ 2,8 bilhões em modernização e expansão dos sistemas de água e esgoto. Neste e no próximo ano, a previsão é investir R$ 2,382 bilhões. Em 2025 sua receita líquida subiu 7,47%, para R$ 3,5 bilhões, e no primeiro semestre a alta foi de 6,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
Na Amaggi, a alta de 16,2% na receita líquida em 2025, para R$ 47,16 bilhões, que manteve o grupo como a maior companhia das regiões Norte e Centro-Oeste, veio acompanhada de um salto de 342% no resultado líquido, para R$ 1,3 bilhão. Rafael Biasoli, diretor financeiro da empresa, atribui o desempenho à recuperação da área de grãos e fibras e ao modelo de negócios adotado, integrando produção agrícola, originação, logística, industrialização e energia. Em julho, o grupo concluiu a aquisição de 40% das ações da FS Bioenergia, com aporte primário de US$ 100 milhões e a compra de ações de acionistas num valor estimado em US$ 1 bilhão.