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FICO avança em etapa indígena para destravar 80 km finais da ferrovia em Mato Gross

14.09.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: JB News
Data: 13/09/2026

Plano elaborado com participação de comunidades Xavante foi protocolado na Funai em 3 de setembro; procedimento é necessário para continuidade do licenciamento, mas ainda não representa autorização automática para execução das obras

A implantação da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) avançou em uma das etapas socioambientais necessárias para a execução de aproximadamente 80 quilômetros finais do empreendimento em Mato Grosso, trecho considerado estratégico para a consolidação do novo corredor ferroviário destinado principalmente ao escoamento da produção agrícola.

No dia 3 de setembro de 2026, a Infra S.A. protocolou na sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Brasília, o Plano Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI) relacionado à Terra Indígena Marechal Rondon.

O documento foi elaborado com participação das comunidades Xavante e passou por processo de discussão e validação junto às aldeias envolvidas.

O protocolo representa avanço no processo de licenciamento, mas não significa que os aproximadamente 80 quilômetros estejam automaticamente liberados para obras.

A partir de agora, o plano precisa passar pela análise dos órgãos responsáveis. A execução nesse segmento dependerá do cumprimento das exigências socioambientais e das demais autorizações necessárias.

O PBA-CI estabelece medidas destinadas a prevenir, reduzir, controlar ou compensar impactos que a implantação e futura operação da ferrovia possam provocar sobre as comunidades indígenas localizadas na área de influência do empreendimento.

Entre os pontos que normalmente integram esse tipo de planejamento estão ações relacionadas à proteção territorial, acompanhamento ambiental, comunicação com as comunidades, preservação cultural e medidas de mitigação dos impactos provocados pela infraestrutura.

No caso da FICO, a participação das comunidades indígenas é particularmente relevante porque a conclusão dessa etapa interfere diretamente no avanço do trecho ferroviário em território mato-grossense.

A ferrovia é considerada uma das principais obras estruturantes para mudar a matriz logística do Estado.

O projeto pretende criar uma nova alternativa para transportar a produção de Mato Grosso, reduzindo a histórica dependência das rodovias e permitindo que grandes volumes de soja, milho, algodão e outros produtos sejam deslocados por ferrovia.

A FICO integra um planejamento ferroviário mais amplo e deverá conectar áreas produtoras do Estado a outros corredores nacionais.

A primeira etapa liga Mara Rosa, em Goiás, a Água Boa, em Mato Grosso, criando conexão com a Ferrovia Norte-Sul. A expansão do projeto em direção ao interior mato-grossense é considerada fundamental para aproximar a malha ferroviária das grandes regiões produtoras.

A chegada da ferrovia tem potencial para produzir efeitos que vão além do agronegócio. A implantação de terminais, pátios logísticos e estruturas de apoio pode atrair empresas, gerar empregos e estimular novos investimentos nos municípios situados no corredor ferroviário.

Também existe expectativa de redução do custo logístico.

Mato Grosso produz dezenas de milhões de toneladas de grãos anualmente, mas boa parte dessa produção ainda precisa percorrer centenas ou milhares de quilômetros por rodovias antes de alcançar terminais ferroviários, hidroviários ou portos.

A ampliação das ferrovias pode retirar parte desse volume das estradas, principalmente nas viagens de longa distância, deixando para o transporte rodoviário uma participação cada vez maior na ligação entre propriedades, armazéns e terminais.

Apesar do avanço registrado em 3 de setembro, ainda existem questões importantes que precisam ser esclarecidas antes de considerar definitivamente destravado o segmento de aproximadamente 80 quilômetros.

Uma delas é quanto custará a implantação das medidas previstas no PBA-CI e quem ficará responsável por cada despesa.

Também será necessário acompanhar quanto tempo a Funai levará para concluir a análise, se haverá pedidos de complementação do estudo e quais condicionantes poderão ser impostas antes da continuidade do licenciamento.

Outro ponto de interesse econômico é o cronograma.

Eventuais atrasos nas autorizações ambientais e indígenas podem interferir no prazo de execução da ferrovia e, consequentemente, no momento em que a infraestrutura estará disponível para atender a produção mato-grossense.

Por isso, o próximo movimento da Funai será decisivo.

O protocolo realizado pela Infra S.A. representa uma etapa formal importante e demonstra avanço nas tratativas com as comunidades Xavante, mas a liberação efetiva das obras dependerá das próximas manifestações dos órgãos competentes.

Para Mato Grosso, acompanhar esse processo significa acompanhar uma infraestrutura capaz de alterar profundamente a logística estadual. Os cerca de 80 quilômetros que ainda dependem dessa etapa socioambiental podem parecer uma parcela limitada diante da extensão do empreendimento, mas estão diretamente ligados à continuidade de um projeto ferroviário considerado estratégico para o futuro econômico do Estado.