20.09.2026 | Assessoria de Imprensa | Notícias do Mercado
Fonte: Diário do Transporte Data: 19/09/2026
A semana foi marcada por uma sequência de licitações, concessões e mudanças em processos de contratação relacionados ao transporte coletivo em diferentes regiões do Brasil. Levantamento do Diário do Transporte reúne desde concorrências para entregar sistemas municipais completos de ônibus à iniciativa privada até uma PPP de bilhetagem eletrônica, além da compra de novos trens e de serviços de manutenção e recuperação da infraestrutura metroferroviária.
Somente entre os casos acompanhados pelo Diário do Transporte estão concessões ou processos envolvendo os ônibus de Francisco Morato (SP), Petrolina (PE), Caratinga (MG), Cunha (SP), Piedade (SP), Campinas (SP) e São Pedro (SP). Nos sistemas tecnológicos, o Rio Grande do Sul avançou na PPP da bilhetagem dos ônibus metropolitanos da Grande Porto Alegre. Já nos trilhos, a semana teve propostas superiores a R$ 630 milhões para dez novos trens do metrô de Salvador e Lauro de Freitas (BA), além de licitações da CPTM em São Paulo e da CBTU em Pernambuco e Alagoas.
Um dos processos de maior abrangência foi aberto pela Prefeitura de Francisco Morato (SP).
Como mostrou o Diário do Transporte, a concorrência prevê a concessão, em lote único, de todas as linhas municipais existentes e também das que forem criadas durante o contrato.
A futura concessionária será responsável não apenas pelos ônibus, horários e itinerários, mas também pela implantação da bilhetagem eletrônica, monitoramento da frota e administração dos terminais urbanos Leste e Oeste.
A abertura das propostas está prevista para 11 de novembro de 2026. O julgamento combinará menor tarifa de remuneração e maior valor de outorga oferecido ao município.
Em Petrolina (PE), outra concorrência combina operação dos ônibus e controle tecnológico do sistema.
A concessão compreende o transporte coletivo urbano e a implantação, gestão, operação e manutenção da bilhetagem eletrônica.
Segundo dados do TCE-PE levantados pelo Diário do Transporte, o processo possui estimativa de R$ 371,2 milhões. As propostas podem ser apresentadas até 13 de outubro de 2026.
A Prefeitura de Caratinga (MG) abriu concessão estimada em R$ 32,1 milhões para 16 linhas de ônibus.
São cinco linhas urbanas e outras 11 destinadas ao atendimento de distritos e localidades.
O contrato terá duração de dez anos e a disputa será pela menor tarifa. O valor de referência informado é de R$ 5,42 e a abertura das propostas está marcada para 26 de outubro.
Em Cunha (SP), a prefeitura também colocou em disputa a operação do transporte coletivo municipal.
A concessão terá prazo de dez anos e a concorrência eletrônica foi marcada para 25 de setembro.
A documentação do processo aborda, entre outros aspectos, frota, qualidade do serviço, matriz de riscos, mecanismos de reajuste da tarifa e manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
Um modelo diferente aparece em Piedade (SP).
A prefeitura pretende conceder à iniciativa privada a operação dos ônibus do programa Bora de Graça, mas isso não significa o fim da Tarifa Zero.
Os passageiros continuam sem pagar passagem e a remuneração da empresa responsável pela operação fica a cargo do poder público.
Nesta semana, a prefeitura adiou para 29 de setembro a sessão da concorrência. O sistema gratuito foi implantado em 2023 e começou com 14 linhas.
Campinas (SP), por sua vez, está em uma etapa anterior.
A prefeitura informou que pretende republicar na primeira quinzena de outubro o edital da concessão do transporte coletivo.
A previsão municipal é realizar em dezembro o leilão para definição das futuras operadoras.
O processo é especialmente relevante por representar uma nova tentativa de reestruturar contratualmente um dos maiores sistemas municipais de ônibus do interior paulista.
Nem todas as licitações avançaram.
Em São Pedro (SP), a prefeitura anulou a concorrência destinada à concessão do transporte coletivo depois de identificar problemas no edital.
O procedimento já havia sido suspenso para análise e possíveis alterações, situação anteriormente mostrada pelo Diário do Transporte.
A anulação significa que uma futura contratação dependerá de uma nova estruturação do processo.
Outra frente importante da semana não envolve diretamente quem dirige os ônibus, mas quem controla a arrecadação das tarifas.
O Governo do Rio Grande do Sul autorizou formalmente a publicação do edital da PPP para uma nova bilhetagem eletrônica dos ônibus metropolitanos da Grande Porto Alegre.
O projeto prevê concessão administrativa por dez anos e uma mudança estrutural: a operação da bilhetagem ficará separada das empresas responsáveis pelos ônibus.
A tecnologia será baseada em contas, com processamento em nuvem, possibilidade de interoperabilidade com outros sistemas e aceitação de diferentes meios de pagamento, incluindo cartões bancários de crédito e débito.
Também estão previstas migração de vale-transporte e gratuidades e ferramentas contra fraudes, entre elas biometria facial.
Modelagens anteriores apontavam aproximadamente R$ 89,9 milhões para o contrato. A LDO de 2027, por sua vez, passou a apresentar investimento estimado de R$ 22,87 milhões e contraprestação pública máxima próxima de R$ 828,7 mil mensais.
A movimentação das licitações não ficou restrita aos ônibus.
Na Bahia, a abertura das propostas para aquisição de dez novos trens, com quatro carros cada, para o sistema metroviário de Salvador e Lauro de Freitas colocou frente a frente dois dos maiores fabricantes ferroviários mundiais.
O Consórcio Grupo Alstom apresentou proposta de R$ 632,72 milhões, enquanto o consórcio liderado pela chinesa CRRC Changchun ofereceu R$ 636,75 milhões.
A diferença é de aproximadamente R$ 4,03 milhões, ou 0,63%.
A apresentação do menor preço, entretanto, não significa que a Alstom já tenha vencido a concorrência. As propostas ainda dependem de análise e os documentos de habilitação permaneciam lacrados após a sessão acompanhada pelo Diário do Transporte.
Em São Paulo, a CPTM abriu licitação para contratar serviços técnicos de engenharia de manutenção preventiva e corretiva da via permanente da Linha 10-Turquesa.
A sessão pública está programada para 8 de outubro de 2026.
A contratação alcança justamente uma linha estratégica para a ligação ferroviária entre a capital paulista e municípios do ABC.
No Recife, a CBTU abriu uma concorrência para recuperação e reforma das coberturas das estações do sistema metroviário.
Os trabalhos deverão compreender recuperação, melhorias e tratamento das estruturas.
A contratação foi dividida em dois itens e a abertura das propostas está marcada para 13 de outubro. O aviso resumido publicado no Diário Oficial da União não especifica quais estações fazem parte de cada item nem apresenta o orçamento estimado.
Em Alagoas, o resultado foi diferente.
A CBTU declarou fracassada a licitação para aquisição de placas de policarbonato destinadas às janelas dos VLTs que atendem Maceió e a região metropolitana.
No mesmo conjunto de atos acompanhado pelo Diário do Transporte, a CBTU prorrogou por 240 dias um contrato de R$ 4,14 milhões relacionado à requalificação de 22 conversores de 11 trens CAF do sistema ferroviário do Recife.
O conjunto de processos acompanhado ao longo da semana mostra diferentes formas de contratação e organização do transporte público no País.
Há municípios entregando a uma única concessionária praticamente toda a cadeia operacional, como linhas, ônibus, bilhetagem e terminais; cidades mantendo a Tarifa Zero e contratando somente quem realizará a operação; governos buscando separar a arrecadação tarifária das transportadoras; e administrações comprando ou contratando separadamente trens, infraestrutura e manutenção.
Nos trilhos, as licitações também mostram outra característica: os contratos podem estar relacionados tanto à expansão e renovação da frota, como na compra dos dez trens para Salvador e Lauro de Freitas, quanto à conservação cotidiana da infraestrutura já utilizada pelos passageiros, casos da Linha 10-Turquesa e das estações do Recife.
A semana, portanto, reuniu processos em diferentes etapas: edital sendo preparado, concorrência aberta, disputa de preços, adiamento, anulação e até licitação encerrada sem vencedor.
Para o passageiro, embora os efeitos não sejam necessariamente imediatos, são esses processos que estabelecem por anos aspectos como quem operará os serviços, como as empresas serão remuneradas, quais tecnologias serão utilizadas para cobrar as tarifas, como serão administrados terminais e quais investimentos e padrões de qualidade poderão ser exigidos durante os contratos.