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CCR vai operar 25% dos trens urbanos no país

22.04.2021 | | Notícias do Mercado

Valor Econômico - 22/04/2021

 

Foto: Reprodução/Facebook CPTM

Com a vitória no leilão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a CCR se consolida como o grande operador privado de metrôs e trens urbanos do Brasil. O grupo passará a responder por cerca de um quarto de toda a movimentação de passageiros do país.

A companhia venceu a disputa pelas duas novas linhas na terça-feira, em parceria com o grupo Ruas. O consórcio ViaMobilidade ofereceu outorga de R$ 980 milhões ao governo paulista, o que representou ágio de 202,56% em relação ao preço mínimo previsto no edital.

O grupo assumirá a concessão por 30 anos e terá que fazer cerca de R$ 3,2 bilhões de investimentos – a maior parte dos recursos será aplicada já nos seis primeiros anos de contrato e será utilizada na aquisição de novos trens, para renovar a frota da CPTM.

A nova concessão deverá agregar à CCR uma média de 1 milhão de passageiros por dia à sua operação, que já somava 2 milhões de passageiros diários. O volume representa cerca de 27% do total de pessoas que usam trens urbanos e metrôs no país em dias úteis – considerando os dados do setor de 2019, antes dos impactos da pandemia.

Em São Paulo, Estado com a maior rede metroferroviária do país, o grupo já tem outras duas concessões em curso: a da Linha 4-Amarela (por meio da concessionária ViaQuatro, na qual é sócia majoritária), e das Linhas 5-Lilás e 17-Ouro (pela concessionária ViaMobilidade, também em parceria com o grupo Ruas). O consórcio ViaMobilidade também chegou a vencer o leilão da linha 15-Prata, em 2019, mas o contrato foi anulado pela Justiça e segue em disputa até hoje.

A empresa tem ainda operações na Bahia, com o Metrô de Salvador, e no Rio de Janeiro, com o VLT Carioca (que liga o centro da capital à região portuária) e o CCR Barcas (rede de transporte aquaviário no Estado).

A presença consolidada da CCR em São Paulo favoreceu a participação do grupo no leilão da CPTM – tanto por conta das sinergias com as linhas operadas, quanto pela maior capacidade de precificar os riscos e oportunidades do projeto, segundo informou o presidente do grupo, Marco Cauduro.

“As linhas 8 e 9 vão se beneficiar de toda a sinergia com as linhas 4 e 5, em termos de recursos, equipamento, pessoal e conhecimento da tecnologia. Essa sinergia é fundamental”, afirmou. No caso da linha 9-Esmeralda, há conexões diretas com as vias operadas pela companhia: com a 4-Amarela, há ligação na estação Pinheiros e, na 5-Lilás, pela estação de Santo Amaro.

Fora a CCR, são poucos os operadores privados de trens urbanos e metrôs que atuam no Brasil. Grande parte da rede ainda é estatal. Em São Paulo, há o grupo espanhol Acciona, que assumiu recentemente a construção (e futura operação) da Linha 6-Laranja.

Outro destaque nesse segmento é o grupo japonês Mitsui, que tem fatia de 10% na ViaQuatro e opera a Supervia, linha de trens urbanos na região metropolitana do Rio. A Invepar também controla um contrato importante, a do MetrôRio.

Porém, nenhum dos três grupos esteve presente no leilão da CPTM, que foi apontado no mercado como um projeto bastante atrativo. Segundo analistas, a Acciona chegou a estudar, mas acabou não fazendo ofertas. Já a Mitsui e a Invepar vêm enfrentando dificuldades em suas concessões no Rio de Janeiro.

A concorrência, porém, mostrou que há outros grupos interessados em entrar no mercado. Participaram do leilão outros três concorrentes: o Consórcio Mobi Trens (liderado pela Comporte, do setor de ônibus), o Consórcio Integração (formado por Iberica Holding e Metra) e a Itapemirim, que se uniu à Encalso.