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Ferrovia de 250 km pode criar novo corredor logístico no Sul do Brasil, conectar grandes portos e chegar a três Estados

31.08.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Diário do Litoral
Data: 28/08/2026

Uma ferrovia de aproximadamente 250 quilômetros pode criar um novo corredor de cargas pelo Litoral de Santa Catarina e conectar alguns dos principais portos da região. O projeto é antigo e ainda está longe de virar realidade, mas acaba de ganhar novo fôlego no planejamento nacional.

A Ferrovia Litorânea foi mantida no Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, lançado em agosto pelo governo federal. O traçado principal prevê uma ligação entre Araquari, no Norte catarinense, e Imbituba, no Sul. O planejamento também considera continuações em direção a Curitiba e Porto Alegre, ampliando a integração ferroviária entre os três estados da Região Sul.

Na prática, a proposta poderia criar uma nova rota para o transporte de mercadorias e conectar estruturas ferroviárias e portuárias que hoje não estão totalmente integradas.  Por enquanto, porém, os trilhos continuam no papel.

Não existe previsão para o início das obras nem um cronograma para que toda a ligação seja construída. Apenas um trecho menor avançou para a fase de projeto.

Ferrovia poderia conectar grandes portos

A lógica do projeto é relativamente simples: aproveitar linhas férreas que já existem e criar uma ligação entre elas.

Araquari, vizinha de Joinville, é um ponto estratégico porque está próxima da ferrovia que dá acesso ao Porto de São Francisco do Sul. A partir dali, os novos trilhos seguiriam pelo litoral, passando pela região portuária de Itajaí e Navegantes até chegar a Imbituba.

No Sul, a nova linha poderia se conectar à Ferrovia Tereza Cristina, que atende a região e chega ao Porto de Imbituba.

Com isso, a Ferrovia Litorânea ajudaria a preencher uma lacuna existente na malha ferroviária catarinense.

O próprio projeto do DNIT foi concebido para ligar Imbituba a Araquari e integrar a Ferrovia Tereza Cristina ao restante da malha ferroviária nacional.

Em outras palavras, seria criado um corredor de trilhos entre diferentes regiões portuárias, oferecendo uma alternativa para cargas que hoje dependem principalmente das rodovias.

Apenas 62 quilômetros avançaram para a fase de projeto

Dos cerca de 250 quilômetros previstos, um trecho bem menor está em estágio mais avançado.

O governo de Santa Catarina trabalha no projeto de engenharia da Ferrovia dos Portos, entre Araquari e Navegantes. São aproximadamente 62 quilômetros.

O contrato começou em 2022, mas passou por mudanças de cronograma e chegou a ficar paralisado. Após a retomada dos trabalhos, a previsão de conclusão foi adiada para outubro de 2026.

Segundo o acompanhamento mais recente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), 78% do projeto estava concluído em julho. Em relação aos recursos, R$ 5,7 milhões dos R$ 7,2 milhões previstos já haviam sido executados, o equivalente a 79%.

O projeto básico foi entregue em dezembro de 2025 e passou a ser analisado tecnicamente pelo governo estadual e pela consultoria responsável pelo acompanhamento.

Mesmo com esse avanço, ainda não existe uma data para o início da construção.

Isso acontece porque concluir o projeto de engenharia é apenas uma das etapas necessárias. Antes de os trilhos começarem a ser instalados, ainda são necessárias definições sobre licenciamento, financiamento, modelo de implantação e origem dos recursos.

Implantação já foi estimada em bilhões de reais

Outro desafio é o tamanho do investimento necessário.

Estimativas mais antigas apontavam aproximadamente R$ 1,5 bilhão para construir a ligação entre Araquari e Navegantes. Avaliações posteriores colocaram o empreendimento em valores mais elevados.

Um relatório do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC), de 2023, registrou uma estimativa de aproximadamente R$ 3 bilhões para a implantação da Ferrovia dos Portos, com valores atualizados até outubro de 2022.

As cifras ajudam a explicar por que ter um projeto pronto não significa necessariamente que a construção esteja próxima.

O governo catarinense já manifestou interesse em buscar participação da iniciativa privada para viabilizar o empreendimento, inclusive por meio de uma parceria público-privada (PPP). Até agora, porém, não há uma modelagem definitiva anunciada.

Também chegou a ser discutida a possibilidade de aproximar os trilhos do traçado da Via Mar, rodovia litorânea planejada pelo Estado. A alternativa não avançou porque seria necessário modificar também o desenho da estrada para tornar as duas estruturas compatíveis.

Por que novos trilhos são importantes

A discussão vai além de Santa Catarina.

O Brasil ainda depende fortemente das rodovias para transportar mercadorias. Por isso, uma das propostas do planejamento federal é integrar melhor diferentes formas de transporte, combinando rodovias, ferrovias, portos, hidrovias e aeroportos.

É nesse cenário que projetos como a Ferrovia Litorânea ganham importância.

Para Santa Catarina, uma malha ferroviária maior poderia oferecer outra opção para transportar contêineres, produtos industriais e cargas do agronegócio até os portos.

Grandes volumes de mercadorias poderiam percorrer parte do trajeto por trem, enquanto outros modais seriam utilizados nas demais etapas.

A intenção é justamente fazer com que diferentes meios de transporte funcionem de forma complementar, em vez de concentrar grande parte das viagens nas estradas.

O que é o PNL 2050

Lançado em 12 de agosto, o Plano Nacional de Logística 2050 funciona como um grande mapa para orientar o futuro da infraestrutura de transportes brasileira.

O documento analisa como pessoas e mercadorias circulam pelo país, identifica gargalos e aponta onde novas estruturas ou melhorias poderão ser necessárias nas próximas décadas.

O planejamento envolve rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos e considera também questões ambientais, territoriais e climáticas.

A ideia é antecipar as necessidades do país até 2050.

Isso se torna ainda mais importante diante da expectativa de crescimento da movimentação de cargas. Em algumas regiões, por exemplo, a demanda pelo transporte de produtos como soja e milho poderá aumentar significativamente nos próximos anos com a expansão das exportações.

Ao identificar esses movimentos com antecedência, o governo pretende definir quais corredores precisarão de ampliação, manutenção ou novas alternativas.

Estar no plano não significa que a obra começará agora

Apesar de a Ferrovia Litorânea aparecer no PNL 2050, isso não significa que os trilhos começarão a ser instalados nos próximos anos.

O documento trabalha com uma visão de longo prazo. A partir dele, outros planos deverão definir quais projetos terão prioridade e como poderão ser executados.

No caso da Ferrovia Litorânea, ainda existe uma distância considerável entre o desenho no mapa e a construção.