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Ferrovias brasileiras enfrentam desafio histórico de expansão e eficiência

08.06.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: São Bento em Foco
Data: 06/06/2026

A infraestrutura logística do Brasil convive com um gargalo estrutural que limita o crescimento  econômico e a produtividade nacional. A malha ferroviária, desproporcional à extensão territorial e ao tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) do país, reflete décadas de negligência e investimentos insuficientes. Para mitigar esse cenário, um novo plano estratégico foi desenhado com o objetivo de modernizar o setor e reduzir as ineficiências que encarecem o custo de vida dos brasileiros.

O diagnóstico do setor ferroviário e os gargalos operacionais

Relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU), datados de setembro de 2024, revelaram que mais de um terço da rede ferroviária nacional permaneceu inativa em 2022. A paralisia do sistema decorre de uma combinação de infraestrutura precária, manutenção inadequada e barreiras que dificultam a entrada de novos operadores logísticos no mercado doméstico.

Para reverter esse quadro, o governo estruturou quatro pilares fundamentais: o novo Plano Nacional de Ferrovias, a  Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, diretrizes atualizadas para a gestão de pátios e terminais sob responsabilidade da Infra S.A., além de novas regras para licitações públicas. A iniciativa busca conferir maior segurança jurídica e transparência ao setor, atraindo o interesse de investidores privados.

Comparativo internacional e a disparidade na matriz de transportes

A defasagem brasileira torna-se evidente ao comparar a malha nacional com a dos Estados Unidos. Enquanto os americanos possuem cerca de 295 mil quilômetros de ferrovias, o Brasil conta com apenas 30 mil quilômetros, representando apenas 10% da extensão norte-americana. Essa diferença impacta diretamente a competitividade dos produtos nacionais no mercado global.

Nos Estados Unidos, aproximadamente 40% das cargas são escoadas por trilhos, com foco em grãos e insumos industriais de longa distância. No Brasil, esse índice não ultrapassa 20%, e o transporte ferroviário ainda se concentra majoritariamente no escoamento de commodities agrícolas e minérios para exportação, o que eleva o custo do frete e penaliza o poder de compra do consumidor final.

Projeções de expansão e o desafio da execução financeira

O novo modelo regulatório projeta a construção de 5 mil quilômetros de novas linhas e a recuperação de trechos inoperantes, visando uma expansão total superior a 10 mil quilômetros. Projetos como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e a Ferrogrão são peças centrais para conectar polos produtivos aos portos, como o de Vila do Conde, no Pará.

Apesar da robustez técnica dos projetos, a viabilidade financeira permanece como a principal incógnita. O custo estimado para o Plano Nacional de Ferrovias e as concessões à iniciativa privada gira em torno de R$ 138,6 bilhões. Em um cenário de dívida pública crescente e déficits recorrentes, especialistas questionam a capacidade do Estado em converter o planejamento em obras entregues, superando a tradição de projetos anunciados que não saem do papel.