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Metrô de SP será empresa de engenharia e consultoria, diz presidente da companhia

10.03.2025 | | Notícias do Mercado

Fonte: Blog Metrô CPTM
Data: 07/03/2025

Julio Castiglioni assumiu o cargo de presidente do Metrô de São Paulo em abril de 2023 com uma dura missão: fazer a empresa voltar a operar no azul após anos de prejuízos anuais bilionários.

Segundo dados preliminares, a companhia que opera quatro das linhas metroviárias da cidade conseguiu sair de um Ebtida negativo para positivo no ano passado.

Na prática, isso significa que a operação da empresa foi lucrativa antes de serem considerados juros, impostos, depreciação e amortização – nesse caso, o resultado deverá ser negativo já que até o terceiro trimestre havia um prejuízo de R$ 735 milhões.

No entanto, o ex-presidente da Codesa (Vports), do Espírito Santo, que foi trazido pelo governador Tarcísio de Freitas, vive em meio a um dilema: como cortar custos enquanto o futuro do Metrô é colocado em dúvida?

Desde que assumiu o cargo, o atual governador fala em conceder as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata à iniciativa privada.

Em recente declaração, o vice-governador, Felício Ramuth, confirmou que esse plano não será possível neste mandato, mas que o projeto está sendo preparado para sair do papel nos próximos anos, em concessões casadas com novos ramais.

Castiglioni, porém, colocou a concessão como uma hipótese, em entrevista ao Valor Econômico. Segundo declaração dada ao jornal, caso as quatro linhas sejam concedidas, “o Metrô será uma empresa de engenharia e consultoria em estratégia de mobilidade urbana”.

Estudos da Linha 16 terceirizados

A previsão, entretanto, se choca com a realidade. Em janeiro, a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), que é responsável pela viabilização de novas concessões no governo, contratou a Acciona para levar adiante estudos mais aprofundados sobre a Linha 16-Violeta.

O ramal foi idealizado pelo time do Metrô no final da década passada, porém, em agosto de 2024, a construtora espanhola apresentou uma manifestação de interesse pelo projeto.

Antes disso, o próprio Metrô havia postergado a licitação de projeto da Linha 16, que no fim se mostraria inócua diante do interesse da Acciona.

Única empresa a se apresentar para o convite do governo do estado para estudar o ramal, a Acciona receberá pouco mais de R$ 42 milhões pelo serviço, que foi iniciado antes mesmo da aprovação pela SPI – sondagens de solo dos prováveis locais das estações já eram realizados desde meados do ano passado.

O desembolso do valor gerou críticas da AEMESP, a associação de engenheiros e arquitetos de metrô. A entidade alegou que o Metrô de São Paulo tem expertise e equipes para realizar esse serviço sem que fosse necessário pagar a terceiros por ele.

Vale observar que sondagens do subsolo, que representam grande parte do valor dos estudo, também teriam de ser contratadas pela companhia de estado e gerariam custo.

O cenário, portanto, segue nebuloso. O Metrô paulista é o mais experiente e capaz no continente e tem norteado quase todo o desenvolvimento da malha sobre trilhos na região.

Resta saber se esse ativo será de fato valorizado no futuro.