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O plano para a ferrovia histórica de Campos do Jordão: viagem a R$ 250 e ‘ciclovia’

02.02.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Estadão
Data: 31/01/2026

Concessão determina reativação de parte de estrada de ferro centenária que percorre municípios da Serra da Mantiqueira; veja o que pode mudar

O recém-publicado edital de concessão da antiga Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ) à iniciativa privada prevê a implantação de duas estações e a retomada de passeios de trem na Serra da Mantiqueira, no interior de São Paulo. O leilão permitirão passagens que podem ultrapassar R$ 250, além de novas atividades junto à ferrovia, como uma “ciclovia” paralela aos trilhos.

Embora englobe todo o “Complexo Turístico e Ferroviário” da EFCJ, com 47 quilômetros, a concessão exige a retomada dos passeios ferroviários majoritariamente em Campos do Jordão, com uma opção na divisa de Santo Antônio do Pinhal e Pindamonhangaba. Os demais trechos terão a manutenção, o restauro e outras intervenções obrigatórias, mas voltarão a receber passageiros apenas por decisão privada.

Já os passeios obrigatórios incluirão locomotiva, maria-fumaça e bondinho — em estilo “hop-on hop-off” (de passagens que permitem diversas descidas e embarques). A concessão terá validade de 24 anos, com leilão marcado para 29 de abril, na B3. A expectativa é de transportar cerca de 485 mil pessoas por ano.

Os principais objetivos do Governo de São Paulo são o estímulo ao turismo na região e reativação do patrimônio cultural, hoje parcialmente em deterioração. Localmente, associações, moradores e empresários elogiaram a retomada de parte da estrada de ferro e a exigência de restauro de bens tombados.

Por outro lado, em audiências públicas, uma parte da população defendeu que a retomada deveria ter preços diferenciados para moradores. Desse modo, poderia ter um uso também como transporte coletivo.

Além disso, uma parte das mudanças defendidas abrangia a criação de novas conexões em Campos do Jordão e a retomada das viagens com passageiros nos demais municípios. Moradores chegaram a falar que a concessão é uma boa notícia “pela metade”.

A concessão determina a oferta de passeios de maria-fumaça em sete meses, enquanto o prazo é de 31 meses para a volta do bondinho e, por fim, de 45 meses para a implantação de passeios com locomotiva. Parte dos equipamentos e vagões não está em boas condições de conservação.

As restrições de valores das passagens abrangem uma parcela das viagens. Como descrito a seguir:

·       Serviço Turístico Expresso (entre estações Emílio Ribas e Abernéssia, em Campos do Jordão): viagens de locomotiva, com cobrança máxima de R$ 110 em dias úteis e ao menos 20 viagens por mês;

·       Serviço Parador Curto (da estação Campos do Jordão à Portal, em Campos do Jordão): viagens de bondinho, com cobrança máxima de R$ 70 nos dias úteis;

·       Serviço Turístico Médio (viagem mais longa, até a Eugênio Lefèvre, em Santo Antônio do Pinhal): cobrança máxima de R$ 250 para 40% das passagens disponibilizadas no mês.

No caso da trilha para bicicletas (de “mountain bike”) ao longo da estrada de ferro, o trajeto indicado é majoritariamente em Pindamonhangaba, entre as estações Eugênio Lefèvre e o centro do município. O edital permite a cobrança pelo uso.

Estrada de ferro centenária

De 1914, a EFCJ é um dos principais símbolos da Serra da Mantiqueira. Foi criada para facilitar a viagem de pessoas com tuberculose para a região serrana.

Ao longo de seu percurso, desenvolveram-se os centros urbanos dos três municípios. Em Campos do Jordão, está próxima de alguns dos pontos mais visitados e conhecidos, como o Parque Capivari e o Hotel Toriba, além de cortar grande parte da zona urbana.

A área da concessão inclui construções centenárias, como a antiga sede da ferrovia (de 1924), em Pindamonhangaba, e a estação Abernéssia (1919), em Campos do Jordão, entre outras. Ao todo, são cerca de 130 imóveis, incluindo vilas operárias e outras construções, que também poderão ser explorados pela concessionária.

A ferrovia também passa pelo Parque Reino das Águas Claras (PRAC), em Pindamonhangaba. O local deverá ser recuperado e reaberto pelo vencedor do edital, incluindo a renovação das conhecidas estátuas que remetem a personagens criados pelo escritor Monteiro Lobato. A entrada deverá ser gratuita.

O valor estimado do contrato é de R$ 315 milhões (incluindo os investimentos obrigatórios), semelhante ao que o Estado se comprometerá em aplicar como recomposição. A seleção será com base na maior outorga fixa (a partir do mínimo de R$ 1,5 milhão).

Sem passeios turísticos há cerca de um ano, a ferrovia tem histórico recente de problemas com furtos, vandalismo e degradação, com retomadas e interrupções dos serviços ao longo dos anos. Além disso, um descarrilhamento com três mortes e cerca de 40 feridos chamou a atenção para a segurança das instalações em 2012.

Além da cobrança da passagem, o edital indica outras possibilidades de receita ao vencedor da concessão. As indicações incluem:

·       cobrança de estacionamento;

·       implantação de novas modalidades de passeio, inclusive temáticas;

·       anúncios publicitários (nas estações, nos vagões, por meio de wi-fi etc);

·       implantação de empreendimentos variados e outras atividades na área da concessão;

·       venda de naming rights das estações;

·       serviço de guarda-volumes.

Além disso, a concessionária deverá executar uma série de obras de contenção e redução de riscos geológicos. O edital também exige o funcionamento do Centro de Memória Ferroviária.