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Presidente da CPTM explica expansão da área de consultoria da estatal

15.06.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Metrô CPTM
Data: 14/06/2026

 

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) pretende ampliar sua presença no mercado de consultoria ferroviária e de mobilidade urbana à medida que deixa de operar parte de suas linhas. O plano passa pela CPTM Serviços, divisão criada para comercializar o conhecimento técnico acumulado pela estatal ao longo de mais de 30 anos.

Em entrevista ao MetrôCPTM, o presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Michael Cerqueira, explicou que a CPTM Serviços foi lançada oficialmente em setembro de 2024 como parte do reposicionamento da empresa diante do avanço das concessões ferroviárias paulistas.

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) pretende ampliar sua presença no mercado de consultoria ferroviária e de mobilidade urbana à medida que deixa de operar parte de suas linhas. O plano passa pela CPTM Serviços, divisão criada para comercializar o conhecimento técnico acumulado pela estatal ao longo de mais de 30 anos.

Em entrevista ao MetrôCPTM, o presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Michael Cerqueira, explicou que a CPTM Serviços foi lançada oficialmente em setembro de 2024 como parte do reposicionamento da empresa diante do avanço das concessões ferroviárias paulistas.

Segundo ele, a companhia entendeu que a transferência da operação para concessionárias privadas não deveria resultar na perda de equipes especializadas em áreas como engenharia, planejamento, manutenção, operação ferroviária e estudos de demanda. A divisão passou então a oferecer esse conhecimento para governos, operadoras e concessionárias.

Um dos primeiros trabalhos de maior relevância ocorreu no Rio de Janeiro. A CPTM foi contratada pelo governo fluminense para desenvolver uma estrutura de custos de referência durante os estudos que antecederam a substituição da SuperVia.

Cerqueira ressaltou que a estatal paulista não participou da elaboração do edital nem da modelagem da concessão. O trabalho consistiu na criação de uma empresa-modelo baseada em informações fornecidas pelo governo do Rio de Janeiro e na experiência operacional da CPTM, permitindo ao estado compreender melhor os custos do sistema ferroviário metropolitano.

Outro contrato importante foi firmado com a Prefeitura de São Paulo. Nesse caso, a CPTM prestou apoio técnico aos estudos do VLT que chegou a ser planejado para a região central da capital paulista. A estatal ficou responsável pelas análises relacionadas aos sistemas de alimentação elétrica e sinalização. Os últimos produtos foram entregues no início deste ano, mas o atual prefeito, Ricardo Nunes, mudou o projeto para usar ônibus com sistemas de georeferenciamento, apelidado de “VLE”.

Mais recentemente, a CPTM Serviços foi contratada pela TrensRJ, concessionária que assumiu a operação dos trens metropolitanos do Rio de Janeiro após a saída da SuperVia.

O contrato prevê a realização de uma auditoria independente para avaliar as condições da infraestrutura, estações, sistemas e material rodante recebidos pela nova operadora. O trabalho envolve cerca de 180 dias de duração, 54 entregas técnicas e uma equipe formada por mais de 50 profissionais da CPTM.

Segundo Cerqueira, o objetivo é produzir uma espécie de diagnóstico completo do sistema ferroviário fluminense, registrando as condições encontradas pela concessionária no início da operação e fornecendo informações tanto para a empresa quanto para o governo estadual.

A CPTM Serviços também presta serviços para concessionárias que atuam em São Paulo. Entre os exemplos citados pelo executivo estão contratos operacionais com a ViaMobilidade e a TIC Trens, incluindo atividades ligadas ao setor de achados e perdidos, além de apoios pontuais relacionados à operação ferroviária.

Interesse do exterior

O presidente da CPTM revelou que a estatal chegou ainda a ser procurada pelo Metrô de Quito, no Equador. Segundo Cerqueira, a companhia apresentou uma proposta para desenvolver manuais de manutenção e outros documentos técnicos que serviriam de base para futuras contratações da operadora equatoriana.

A ideia era separar a elaboração do material técnico da futura licitação operacional, modelo semelhante ao adotado em diversos projetos brasileiros. O negócio, porém, não avançou porque o operador optou por concentrar em um único contratado tanto a elaboração dos manuais quanto a execução dos serviços, entendimento considerado mais adequado à realidade local.

Além do Equador, Cerqueira afirmou que a CPTM recebeu consultas de outros operadores brasileiros e de empresas estrangeiras interessadas em estudos, planejamento e apoio técnico. Segundo ele, houve pelo menos três ou quatro sondagens internacionais, embora nenhuma delas tenha evoluído para contratos até o momento.

Para o presidente da CPTM, a tendência é que a CPTM Serviços assuma um papel cada vez mais relevante dentro da companhia, aproveitando o conhecimento acumulado pela estatal em projetos ferroviários, operação de sistemas sobre trilhos e estruturação de empreendimentos de mobilidade.