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Resultado da Vale será afetado por produção menor

28.04.2020 | | Notícias do Mercado

A média de projeções aponta para queda de 14,3% na receita e de 22,9% no Ebitda

 

A queda dos volumes produzidos e embarcados de minério de ferro pela Vale deverá afetar negativamente os resultados da companhia no primeiro trimestre. Com isso, os relatórios de bancos e corretoras obtidos pelo Valor apontam para uma média de US$ 7,03 bilhões de receita líquida nos três primeiros meses do ano, o que significaria uma queda de 14,3% ante os US$ 8,2 bilhões de igual período de 2019.

As quatro casas pesquisadas pelo Valor – Itaú BBA, Bradesco BBI, HSBC e XP Investimentos – projetam ainda, na média, um lucro antes de juros antes de impostos, depreciações e amortizações (Ebita, na sigla em inglês) ajustado no primeiro trimestre, ficou, segundo a média obtida pelo Valor, em US$ 2,97 bilhões, o que, caso se confirme, apontará para um recuo de 22,9% na comparação com igual período do ano passado.

No lucro líquido, no entanto, a média das quatro instituições, de um ganho de US$ 733 milhões na última linha do balanço, significaria uma reversão do prejuízo de US$ 1,64 bilhão dos três primeiros meses do ano passado.

A comparação do lucro com um ano atrás, no entanto, sofre os efeitos do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), ocorrido em janeiro de 2019 e com reflexos diretos no lucro da companhia no balanço dos três primeiros meses do ano passado.

No lucro líquido, as estimativas para o resultado que será divulgado amanhã variaram entre US$ 385 milhões do Bradesco BBI e os US$ 1,27 bilhão estimados pelo Itaú BBA, que também reportou a maior estimativa de receita líquida, de US$ 7,2 bilhões. A menor estimativa de receita líquida foi do HSBC, com US$ 6,74 bilhões. No Ebitda ajustado, as projeções ficaram entre os US$ 2,88 bilhões da XP e os US$ 3,03 bilhões do HSBC.

O menor volume de minério de ferro produzido e vendido foi apontado como a principal causa para a expectativa de resultados mais fracos no primeiro trimestre. O Itaú BBA lembrou que os dados de 2019 foram negativamente afetados por Brumadinho, mas ressalta que os volumes no primeiro trimestre de 2020 sofreram o impacto das fortes chuvas na região Sudeste do Brasil.

Entre janeiro e março, a Vale produziu 59,6 milhões de toneladas de finos de minério de ferro, queda de 18,2% frente ao primeiro trimestre de 2019. Já a produção de pelotas caiu 43,1% na mesma comparação, para 6,9 milhões de toneladas. Os dados constam do relatório de produção da companhia, que aponta ainda uma venda de 51,6 milhões de toneladas de minério de ferro e de 7,3 milhões de toneladas de pelotas, recuos de 6,8% e 40,6%, respectivamente, na comparação com os três primeiros meses do ano passado.

O HSBC afirma esperar que a queda dos volumes embarcados predomine em relação aos preços mais vantajosos na comparação com igual trimestre do ano anterior, “embora as margens do Ebitda sejam ajudadas por preços realizados maiores”. No primeiro trimestre do ano passado o preço médio de venda realizado pela Vale para os finos de minério foi de US$ 81,1 por tonelada.

No relatório do Bradesco BBI, o analista Thiago Lofiego lembra que os dados de produção mostraram que a companhia deverá registrar “declínio relevante” nos embarques de minério de ferro devido à sazonalidade. Ele projeta ainda preço médio de venda realizado ao redor de US$ 84 por tonelada no primeiro trimestre; aumento dos custos de caixa da mina ao porto – chamado de custo C1- de US$ 1,5 por tonelada devido à menor diluição pelo volume mais baixo; e gastos ao redor de US$ 140 milhões ligados a Brumadinho.

 

Fonte: Valor

Data: 28/04/2020