05.01.2026 | ABIFER | Notícias do Mercado
Fonte: Mobilidade 360 Data: 04/01/2026
O governo estadual apresentou um balanço consolidado do programa “SP nos Trilhos”, carteira de projetos estruturada pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) que soma cerca de R$ 190 bilhões em investimentos estimados. A iniciativa reúne mais de 40 projetos e promete ultrapassar a marca de 1.000 quilômetros de novas linhas, integrando a capital, o interior e o litoral, com uma projeção de gerar 150 mil empregos.
Para o passageiro que enfrenta a lotação diária e para o setor de infraestrutura, os números são superlativos. No entanto, uma leitura técnica exige separar o que já é canteiro de obras daquilo que ainda está em fase de planejamento ou modelagem. O pacote mescla intervenções em estágio avançado de engenharia civil com projetos que dependem de complexas equações financeiras para saírem do papel.
A seguir, o Mobilidade360 detalha o status de cada frente de obra. Para isso, dividimos a análise do cronograma em três eixos principais. O primeiro foco é o transporte metropolitano de alta capacidade (Metrô). Na sequência, abordamos a remodelação profunda das linhas suburbanas (CPTM). Além disso, destacamos a retomada do transporte regional (Trens Intercidades).
No perímetro urbano da capital, o destaque físico é, inquestionavelmente, a Linha 6-Laranja. Considerada a maior obra de mobilidade urbana em execução no Brasil, o projeto atingiu 75% de conclusão em 2025. Com um aporte estimado de R$ 19,1 bilhões e mais de 10 mil trabalhadores mobilizados, a linha tem um cronograma de entrega fatiado para viabilizar a operação:
A obra reforça o eixo Norte-Centro, conectando universidades e polos de inovação. Paralelamente, a expansão da rede existente avança em termos contratuais e de projeto:
Talvez a mudança mais impactante para a Região Metropolitana esteja na nova concessão ferroviária. Especificamente, ela envolve as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Esses ramais foram consolidados no chamado Lote Alto Tietê. Contudo, o projeto vai muito além de uma simples troca de gestão operacional. De fato, o contrato estipula investimentos massivos de R$ 14,3 bilhões. Portanto, estão previstas intervenções pesadas de engenharia civil já na fase de implantação, que segue até 2026.
O projeto ataca gargalos da antiga malha ferroviária com a construção de oito novas estações e a modernização de outras 27, incluindo reformas e reconstruções. O plano de expansão física adicionará 22,6 quilômetros de trilhos, viabilizando três extensões estratégicas que redesenham a mancha urbana:
A projeção técnica indica que, até 2040, essas três linhas transportem cerca de 1,3 milhão de passageiros por dia, atendendo diretamente uma população de 4,6 milhões de habitantes.
Além disso, o programa representa a tentativa mais sólida de reativar o transporte ferroviário de passageiros. O objetivo principal é restabelecer a conexão entre macrometrópoles. Vale lembrar que esse tipo de modal foi praticamente extinto no Brasil nas últimas décadas.
O TIC Eixo Norte, ligando Campinas a São Paulo, tem previsão de início de obras para o primeiro semestre de 2026. Este projeto é complexo pois envolve três serviços em um mesmo eixo: o trem expresso (TIC), o Trem Intermetropolitano (TIM) e a Linha 7-Rubi paradora. Orçado em R$ 14,2 bilhões, o expresso promete uma viagem de cerca de 60 minutos entre as duas cidades.
Seguindo o mesmo modelo, o TIC Sorocaba concluiu a etapa de audiências públicas em 2025. Com investimento estimado em R$ 12 bilhões, o sistema é projetado para atender até 50 mil passageiros por dia. O governo também mantém em carteira estudos para os eixos Leste e Sul, além de VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) em Campinas, Sorocaba e Baixada Santista.
Há ainda um componente de Turismo Ferroviário no programa, com potencial de movimentar R$ 1,8 bilhão na próxima década, indicando uma visão de uso misto da malha.