15.10.2026 | Assessoria de Imprensa | Notícias do Mercado
Fonte: Portogente Data: 14/10/2026
A VLI, companhia de soluções logísticas que opera ferrovias, portos e terminais, deixou de consumir mais de 4 milhões de litros de diesel em suas operações ferroviárias graças ao Leader, sistema de condução semiautônoma de locomotivas. A tecnologia também evitou a emissão de mais de 9,3 mil toneladas de CO? equivalente até julho deste ano, segundo a empresa.
O sistema analisa em tempo real dados da via e do trem para calcular um plano de condução otimizado. Na prática, ajusta aceleração, frenagem e velocidade da composição para buscar o menor consumo possível, respeitando as restrições operacionais, o tempo de percurso e a integridade dos ativos. Segundo a VLI, a implementação na frota de locomotivas premium começou em maio de 2024.
A economia média de cerca de 8% foi registrada nos corredores de maior movimentação de carga da companhia: o Corredor Norte, que liga o Tocantins ao Porto do Itaqui pelo tramo norte da Ferrovia Norte-Sul, e os Corredores Leste e Sudeste, que conectam regiões produtoras ao sistema portuário do Espírito Santo e ao Porto de Santos pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).
A tecnologia vem sendo testada pela empresa desde antes disso. Em 2023, a VLI informou que o projeto já contava com 190 locomotivas equipadas (51 no Corredor Norte, 110 no Sudeste e 29 no Leste), com previsão de chegar a 226 na primeira etapa. O motorista pode ativar a condução semiautônoma quando o trem ultrapassa 8 km/h. Em balanço divulgado anteriormente para o Corredor Norte, a eficiência energética nos trens com Leader na Ferrovia Norte-Sul passou de 1,66 para 1,51 litro por mil tonelada-quilômetro bruto.
“A agenda de descarbonização é um fator de competitividade nas operações logísticas.”
Gama lembra que o transporte ferroviário já emite cerca de seis vezes menos CO? que o rodoviário quando se compara o uso de diesel nos dois modais, e que ferramentas como o Leader ampliam essa vantagem ao converter ganhos de produtividade em benefícios ambientais.
Em 2025, a VLI reduziu em 12,5% as emissões de gases de efeito estufa por tonelada transportada, provenientes do diesel das locomotivas, em relação ao ano-base de 2020. A meta é chegar a 15% até 2030. Os inventários de emissões da companhia desde 2020 são públicos e auditados de forma independente, o que rendeu à empresa o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, nível máximo de qualificação da iniciativa, que atesta rastreabilidade, precisão e conformidade dos dados climáticos reportados.
A iniciativa da VLI se soma a uma série de movimentos de operadores ferroviários, terminais e autoridades portuárias no país.
| Empresa | Iniciativa | Resultado declarado |
|---|---|---|
| Rumo | Financiamento de R$ 350 milhões do BNDES (Fundo Clima), aprovado em janeiro de 2026, para seis locomotivas híbridas e ao menos 160 vagões-tanque, voltados ao transporte de biocombustíveis, com destaque para o etanol de milho no Centro-Oeste. | Redução estimada de 62,3 mil t de CO? por ano, com a tração híbrida e a migração de cargas da rodovia para a ferrovia. |
| COFCO International (com a Rumo) | Investimento de R$ 1,2 bilhão em 979 vagões e 23 locomotivas para levar grãos e açúcar ao terminal da empresa no Porto de Santos. | Segundo a empresa, a ferrovia reduz cerca de 80% das emissões de CO? frente ao rodoviário para o mesmo volume. |
| Santos Brasil | Primeira frota de 35 caminhões a gás natural comprimido (GNC) em operação interna de terminal portuário, no Tecon Santos, com investimento de R$ 40 milhões e posto de abastecimento no próprio terminal. | Até 20% menos CO? que os modelos a diesel; plano de transição prevê cortar 70% das emissões diretas e 30% das indiretas até 2040. |
| DP World Santos | Eletrificação de equipamentos, reciclagem de resíduos portuários em biocombustível e automação de pátio. | Meta global de reduzir 42% da pegada de carbono até 2030 e atingir emissões líquidas zero em 2050. |
| Autoridade Portuária de Santos | Plano de descarbonização e Plano Diretor Energético, elaborados com a Fundação Valenciaport, além de incentivos tarifários. | Plano previsto para 2026, abrangendo terminais, navios e acessos rodoviário e ferroviário. |
Em nível nacional, mapeamento da Antaq identificou ao menos cinco portos brasileiros com incentivos para navios de menor pegada de carbono. Santos, Itaqui e Açu já têm inventários completos de emissões, e o Açu é o único com plano de descarbonização consolidado.
Ferrovia como alavanca: o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o transporte rodoviário é oito vezes mais emissor de CO? por tonelada-quilômetro útil que o ferroviário. A vice-presidente da Rumo, Natália Marcassa, estima que um único trem retire cerca de 280 caminhões das estradas.
Para o Porto de Santos, os movimentos convergem: cargas que chegam por trilhos reduzem a dependência do acesso rodoviário, e terminais passam a investir em frota e equipamentos de menor emissão. Vale observar que as comparações entre ferrovia e rodovia variam conforme a metodologia (fala-se em seis, oito vezes ou 80% menos), e que os números são, em sua maioria, declarações das próprias empresas. A publicação de inventários auditados, como faz a VLI, tende a se tornar um diferencial competitivo à medida que embarcadores e mercados passam a exigir dados rastreáveis.