13.08.2026 | Assessoria de Imprensa | Notícias do Mercado
Fonte: Valor Econômico Data: 12/08/2026
Com mais investimentos privados do que públicos, na proporção de 60% para 40%, o Plano Nacional de Logística (PNL) consolida o Brasil como detentor da maior carteira de concessões em rodovias e de ferrovias no mundo. Isso dá argumentos ao Ministério dos Transportes no debate travado dentro do governo quanto ao fim da isenção do Imposto de Renda para as debêntures de infraestrutura.
O Ministério da Fazenda quer acabar com o benefício tributário porque considera que os títulos isentos estão disputando mercado com os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar a dívida pública. Isso estaria encarecendo os papéis.
No entanto, a emissão de debêntures de infraestrutura no exterior tem atraído para as concessões de rodovias e ferrovias um tipo de player que estava ausente: os investidores estrangeiros. Trata-se de um capital mais barato e abundante, argumenta o chefe da Pasta.
“Eu tenho agora pelo menos seis grupos estrangeiros entrando nas licitações”, disse ao Valor o ministro dos Transportes, George Santoro. “Os chineses realmente estão contratando consultorias e estudando.” Não é possível saber se darão lances nos leilões, mas o fato de estarem analisando a fundo os projetos é inédito pelo menos nos três anos em que está no ministério, disse.
Santoro contou que teve uma conversa no início deste mês com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a respeito das debêntures. “Concordo que essa questão de competir com título nacional no momento de restrição é muito ruim”, teria dito. No entanto, acrescentou, os valores captados pelas debêntures de infraestrutura vão “100% para a economia real”, afirmou. Não é o que se vê nos demais títulos isentos, cuja captação não é integralmente destinada ao setor que financia.
No caso da logística, argumentou, os investimentos ainda geram efeitos multiplicadores na economia, por baratear o transporte de mercadorias.
Ele espera que nesta atual fase as emissões de debêntures de infraestrutura no exterior avancem. Além de trazer um capital mais barato, esse mecanismo mitiga parcialmente o risco cambial dos recursos aplicados aqui.
Para aumentar as chances de acessar o capital externo, foi necessário alinhar os projetos de concessão à cartilha de sustentabilidade da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Hoje os meus projetos são carbono zero”, afirmou. Alguns fundos estrangeiros não podem investir em empreendimentos que não estejam adequados ao padrão internacional.
Nessa nova edição do PNL, os projetos passaram a informar o risco ambiental. Além disso, o Ministério do Meio Ambiente passou a participar da governança do plano.
O Ministério dos Transportes conseguiu se credenciar para receber recursos do Fundo Clima, que financia projetos sustentáveis. Também passou a integrar a taxonomia sustentável, o que dará acesso aos recursos do mercado de carbono.
Além dos estrangeiros, o PNL traz também um outro player novo para as concessões de ferrovia: a União. Nos projetos em que houver um “gap de viabilidade”, poderão entrar recursos públicos. Haverá, porém, um limite: o valor do investimento em ativo fixo do projeto. “O mundo inteiro botou dinheiro em ferrovia, ou subsidia na taxa de financiamento bancário, ou dá aporte público”, afirmou.
Depois de ir à lona com a “Operação Lava-Jato”, que teve em seu centro as grandes construtoras brasileiras, o programa de concessões em logística passou por um processo de aperfeiçoamento e modernização que atravessou os governos de Michel Temer, Jair Bolsonaro e chegou até agora. É o filho bem-sucedido da restrição orçamentária.