Av. Paulista, 1313 - 9º Andar - Conjunto 912 (11) 3289-1667 [email protected]
pt-bren

O Brasil já pode reduzir seu custo logístico, mesmo antes de 2050

13.08.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Monitor Mercantil
Data: 12/08/2026

O Ministério dos Transportes lançou nesta quarta-feira, em Brasília, o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050. O documento projeta um crescimento de 300% no volume de carga transportado no Brasil nos próximos 15 anos, impulsionado principalmente pelas exportações de commodities do agronegócio.

Para sustentar esse volume, o plano prevê R$ 1,225 trilhão em investimentos até 2050, R$ 734,4 bilhões de recursos privados e R$ 490,5 bilhões públicos, a primeira vez em que a participação privada supera a pública nesse tipo de planejamento.

O PNL parte de um diagnóstico que o setor já conhece na prática: o custo logístico brasileiro consumiu 15,5% do PIB em 2025, o equivalente a R$ 1,96 trilhão, segundo o estudo anual do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS).

O Ministério dos Transportes estabeleceu como meta reduzir esse índice à metade até 2050 e, para chegar a esse número, recorreu a uma base de dados mais precisa do que a usada até então: registros de Conhecimentos de Transporte Eletrônico (CT-e), que mostram o trânsito real de mercadorias pelo país, organizados em 31 corredores de transporte.

Um dos pontos mapeados pelo próprio plano está em Paranaguá, onde a carga pode esperar até 540 horas para ser embarcada por falta de conexão ferroviária e rodoviária, uma situação semelhante à de Santos.

O dado ajuda a entender por que o plano aposta em ampliar outros modais além da rodovia, hoje responsável por 54% da movimentação de cargas no país, segundo dados da Infra S/A. As ferrovias respondem por 27%, as hidrovias, por 19%, e o transporte aéreo, por menos de 1%.

Esse custo logístico chega ao preço do supermercado, da loja, do frete que o consumidor paga no dia a dia. Quando a carga circula por rotas mais eficientes e com menos espera, esse ganho também se reflete ao longo da cadeia, até chegar ao produto final.

Por isso, cada avanço na eficiência logística de hoje, mesmo antes de as grandes obras do plano ficarem prontas, já tem efeito positivo sobre esse preço.

A Jamef, empresa que lidero, atua no transporte rodoviário e aéreo de cargas fracionadas. No dia a dia dessas rotas, o mesmo princípio se aplica: quanto mais opções de modal, mais eficiente fica a entrega, especialmente para quem não tem escala para montar uma logística própria.

Os projetos estruturantes do PNL, como o corredor ferroviário entre Cariacica (ES) e Nova Iguaçu (RJ) e a retomada do Ferroanel de São Paulo, fazem parte de uma carteira de oito leilões ferroviários que soma mais de 9 mil quilômetros de trilhos, com expectativa de R$ 140 bilhões em investimentos diretos e potencial de atrair até R$ 600 bilhões ao longo dos projetos, segundo o Ministério dos Transportes.

É um volume de investimento inédito para o setor, e a maior parte dele vem de capital privado, um sinal de que o mercado já está se organizando para viabilizar essas obras nos próximos anos.

Enquanto essas obras avançam, quem transporta carga hoje já pode agir: a rodovia continua sendo o modal que sustenta a maior parte do transporte no Brasil e vai seguir nessa posição por um bom tempo, mas um crescimento de 300% no volume de carga abre espaço para outros modais crescerem junto.

Ferrovia para grandes volumes e longas distâncias, aéreo para cargas que não podem esperar: já existem operações combinando modais para ganhar eficiência dentro da infraestrutura disponível hoje, o que ajuda o país a colher resultados antes mesmo de o plano estar totalmente concluído.

O PNL 2050 chega com um diagnóstico preciso e um horizonte de investimento que combina recursos públicos e privados em uma escala inédita para a logística brasileira. Esse desenho já abre espaço para que empresas comecem a se adaptar agora, aproveitando as eficiências possíveis dentro da estrutura atual à medida que a infraestrutura planejada avança.

Marcos Rodrigues é CEO da Jamef, conselheiro independente e membro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) há mais de uma década, com participação nas Comissões de Pessoas e de Finanças e Contabilidade.