16.09.2026 | Assessoria de Imprensa | Notícias do Mercado
Fonte: Revista Ferroviária Data: 16/09/2026
O Ministério dos Transportes apresentou, nesta terça-feira, 15 de setembro, durante evento realizado na sede da B3, em São Paulo, uma nova modelagem para a exploração de trechos ferroviários ociosos, desativados ou em processo de devolução à União.
A proposta, apresentada a representantes do mercado, integra a carteira de projetos de leilões e chamamentos públicos voltados ao transporte ferroviário nacional, incluindo oportunidades para a movimentação de cargas e passageiros.
O novo modelo de chamamento público tem como objetivo identificar empresas interessadas em reativar trechos da malha ferroviária que atualmente não estão em operação. A iniciativa faz parte de uma estratégia do Governo Federal para recuperar aproximadamente 10 mil quilômetros de ferrovias sem utilização.
Corredor Minas-Rio serve de referência
A modelagem apresentada tem como referência o projeto desenvolvido para o Corredor Minas-Rio, cujo leilão está previsto para dezembro deste ano. A concessão contempla aproximadamente 700 quilômetros de malha, divididos em trechos com potencial para o transporte de cargas, como produtos siderúrgicos e café.
O projeto já foi validado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e é considerado pelo Ministério dos Transportes uma referência para o desenvolvimento de novos processos de exploração ferroviária.
Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, as conversas realizadas durante o evento indicaram interesse de empresas e investidores nos projetos apresentados.
“Saímos de lá com uma certeza: o mercado está interessado e quer participar”, destacou o ministro em seu perfil nas redes sociais.
Autorização e disputa por investimentos
De acordo com a nova modelagem, empresas privadas poderão explorar trechos da malha ferroviária pública por meio de contratos de autorização. O chamamento público será utilizado para identificar os interessados em reativar a operação em determinadas regiões.
A empresa vencedora terá prazo de dois anos para apresentar um projeto acompanhado do Plano de Requalificação da Malha (PREC). A execução poderá contar com recursos do orçamento federal ou com investimentos privados cruzados.
Nesse formato, a disputa entre os interessados considera vencedor quem realizar o menor aporte público necessário para viabilizar o projeto. O modelo também prevê o ressarcimento do autorizatário original pelos custos incorridos, caso outra empresa assuma o contrato.
Há ainda a possibilidade de exploração da malha sem aporte de recursos públicos. Em ambos os formatos, os contratos poderão ter prazo de até 99 anos.
“Estamos abertos às soluções apresentadas pelos players que se interessarem pelos trechos, seja para transporte de cargas, passageiros, turismo ou outros usos que possam ser viabilizados.
A ideia é transformar infraestrutura que já existe em novas oportunidades, conectando regiões e movimentando a economia”, concluiu o ministro.
Trechos em shortlines integram a carteira
A carteira apresentada pelo Ministério dos Transportes inclui sete projetos classificados como shortlines — trechos ferroviários de menor extensão, conectados a corredores estruturantes da malha nacional e com potencial para o transporte de cargas ou passageiros.
Além do Corredor Minas-Rio, os projetos previstos no chamamento público são:
– General Carneiro (Sabará/MG) – Miguel Burnier (Ouro Preto/MG);
– Aguaí/SP – Bauxita (Ramal de Poços de Caldas/MG);
– Brasília/DF – Luziânia/GO;
– Campina Grande/PB – Cabedelo/PB;
– Roncador Novo/GO – Jardim Ingá/GO;
– Santo Ângelo/RS – Santa Rosa/RS;
– Cruz Alta/RS – Santo Ângelo/RS.
Terminais logísticos também serão leiloados
Além dos projetos ferroviários, o Ministério dos Transportes anunciou a realização, em 3 de dezembro, de um leilão na B3, em São Paulo, para cinco terminais logísticos integrados à Ferrovia Norte-Sul.
Duas áreas serão destinadas à movimentação de granéis agrícolas e outras três à operação com granéis líquidos. Os terminais estão localizados em Porto Nacional e Palmeirante, no Tocantins.
Também está prevista a oferta, em uma plataforma permanente na B3, de áreas destinadas à implantação e à exploração de terminais logísticos ao longo da Ferrovia Norte-Sul. A proposta busca ampliar a integração da ferrovia com cadeias produtivas, centros de armazenagem e outros modais de transporte.
Ao todo, o escopo contempla 12 pátios ferroviários distribuídos pelos estados de Tocantins, São Paulo e Goiás.
Segundo o Ministério dos Transportes, a oferta dessas áreas integra um novo marco regulatório para terminais, pátios e espaços de armazenagem, estabelecendo regras para a exploração das estruturas ferroviárias.
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