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TCDF suspende licitação de cerca de R$ 900 milhões do Metrô-DF para compra de 15 novos trens com 60 carros

09.09.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Diário do Transporte
Data: 08/09/2026

A licitação do Metrô-DF para aquisição de 15 novos trens, totalizando 60 carros, foi suspensa por determinação do TCDF (Tribunal de Contas do Distrito Federal). O procedimento está paralisado desde 3 de setembro de 2026 e somente poderá prosseguir após nova deliberação da Corte de Contas. O aviso foi publicado no Diário Oficial do Distrito Federal desta terça-feira, 8 de setembro.

A compra é estimada em aproximadamente R$ 900 milhões e havia sido estruturada para ampliar a frota do sistema, reduzir intervalos e dar suporte às expansões metroviárias. Antes da suspensão, as propostas seriam recebidas em 15 de setembro. Cada TUE, Trem Unidade Elétrica, será formado por quatro carros, e o futuro contratado deverá desenvolver, fabricar, integrar, testar, comissionar e entregar os veículos prontos para operação.

Suspensão vale até nova decisão do Tribunal de Contas

O comunicado publicado pelo Metrô-DF é direto: a suspensão ocorre em atendimento a uma decisão do TCDF e vale até nova deliberação do tribunal.

Na prática, o cronograma da concorrência fica interrompido. Enquanto a medida estiver vigente, não pode ser considerada válida a programação anterior de recebimento das propostas em 15 de setembro.

O Diário Oficial desta terça-feira não detalha, no aviso de suspensão, quais pontos técnicos, econômicos ou jurídicos levaram o TCDF a determinar a paralisação. Por isso, não é possível atribuir, exclusivamente com base nessa publicação, uma causa específica à nova intervenção do tribunal.

O processo de compra, entretanto, já havia passado anteriormente pelo controle do TCDF. Quando a licitação foi lançada em julho, o governo informou que o Tribunal de Contas havia feito questionamentos sobre os valores estimados e que o Metrô-DF apresentara justificativas técnicas para demonstrar a compatibilidade dos preços com o mercado. Após essa etapa, o edital avançou.

A nova suspensão, portanto, representa uma etapa posterior da fiscalização. O aviso atual não informa se os motivos são os mesmos discutidos anteriormente ou se surgiram novos questionamentos.

Compra prevê 15 trens completos, e não apenas carros –  “vagões”

O objeto da licitação é a contratação integrada de empresa ou consórcio especializado para produzir 15 TUEs.

Cada trem terá quatro carros na configuração A+B+B+A. Dessa maneira, o contrato representa a aquisição de 60 carros ferroviários completos.

A empresa vencedora não deverá apenas entregar equipamentos prontos adquiridos de terceiros. O escopo inclui desenvolvimento conforme as especificações técnicas do Metrô-DF, fabricação, integração dos diversos sistemas, testes, comissionamento e entrega operacional.

Isso ajuda a explicar o prazo elevado de uma compra ferroviária. Diferentemente de veículos produzidos em série e mantidos em estoque, trens são fabricados de acordo com características específicas da infraestrutura na qual vão operar.

O edital lançado em julho adotava disputa aberta e julgamento pelo menor preço. As propostas inicialmente estavam programadas para 15 de setembro de 2026.

Investimento é estimado em aproximadamente R$ 900 milhões

O valor de aproximadamente R$ 900 milhões para os 15 trens vinha sendo apresentado pelo Governo do Distrito Federal desde as etapas anteriores do projeto.

A aquisição chegou a ser incluída nas negociações de financiamento dentro das políticas federais de mobilidade. Em informações divulgadas durante o desenvolvimento do projeto, o Metrô-DF afirmou que os novos veículos representariam ampliação da frota e não simplesmente substituição integral das composições existentes.

Levantamento realizado pela Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da Câmara Legislativa apontou, durante visita ao Metrô-DF em 2026, custo estimado de aproximadamente R$ 48 milhões por composição. Na ocasião, a companhia previa que os primeiros novos trens somente poderiam ser entregues cerca de dois anos depois da contratação, em razão das etapas de fabricação, testes e homologação.

Novos trens estão ligados às expansões da rede

A compra de material rodante ganha importância adicional porque o Metrô-DF está ampliando sua infraestrutura.

Em Samambaia (DF), está em andamento a expansão da Linha 1. Na própria edição do Diário Oficial desta terça-feira, o Metrô-DF autorizou pagamento de R$ 2,675 milhões relacionado ao segundo reajuste dos serviços prestados em 2025 no contrato dessa ampliação.

O trecho de Samambaia deverá acrescentar aproximadamente 3,5 quilômetros e duas estações. Há também projeto de prolongamento em Ceilândia (DF), com mais de dois quilômetros e duas novas estações.

Mais quilômetros de trilhos e novas estações significam necessidade de maior disponibilidade de material rodante. Sem aumento da frota, a ampliação física da rede pode pressionar os intervalos e a quantidade de trens disponíveis para cada trecho.

O planejamento divulgado pelo Metrô-DF também relaciona a nova frota à modernização dos sistemas de energia, sinalização e controle. Em apresentação anterior, a companhia informou que o objetivo era reduzir os intervalos no trecho comum da rede com a combinação de novos trens e melhorias tecnológicas.

Frota atual também passa por manutenção

A aquisição ocorre em paralelo a investimentos para manter os trens existentes.

Em agosto de 2026, por exemplo, o Metrô-DF reabriu licitação para fornecimento de rodas ferroviárias destinadas às frotas 1000 e 2000. O contrato envolve fabricação, transporte, desembaraço e entrega dos componentes.

A necessidade de reforço da frota também foi discutida após problemas operacionais e ocorrências envolvendo trens. Segundo informações apresentadas à Câmara Legislativa, parte das composições já esteve fora de serviço por incêndios, descarrilamento e alagamento, enquanto a companhia mantém programas de recuperação e manutenção dos veículos existentes.

Com a suspensão determinada pelo TCDF, a questão passa a ser quanto tempo será necessário para que os pontos apontados pelo tribunal sejam solucionados e o procedimento possa ser retomado.

Como os trens ainda precisarão ser fabricados depois da conclusão da licitação, cada adiamento na contratação pode se refletir também no calendário de entrada dos novos veículos em circulação.